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SOMOS PERAS OU MAÇÃS?
Até o observador mais casual pode notar que a distribuição do tecido adiposo não se dá em todas as pessoas na mesma localização anatómica. Quando a gordura se localiza predominantemente na parte superior do corpo é denominada de andróide, masculina, central, ou de distribuição em forma de “maçã”.
Este padrão de distribuição é mais frequente nos homens, daí os termos andróide e masculina. Quando o tecido adiposo se acumula predominantemente na parte inferior do corpo são utilizadas as designações ginóide, feminina ou em forma de “pêra”.
Quais são os factores que determinam a distribuição de gordura?
O principal factor relaciona-se com a genética, e é flagrante quando se observa a semelhança da distribuição de gordura nos elementos da família por sexo. Assim sendo, se o pai ou a mãe têm tendência para acumular gordura na zona do abdómen, é natural que os filhos também venham a ter essa tendência.
Como foi mencionado anteriormente, o sexo da pessoa influencia a distribuição de gordura. As mulheres normalmente apresentam maior distribuição de gordura na parte inferior do corpo, ancas e pernas, enquanto os homens apresentam maior distribuição de gordura na zona superior, cintura e abdómen. À medida que a idade avança a distribuição de gordura pode alterar-se. Por exemplo, depois da menopausa, no caso do sexo feminino, observa-se uma maior distribuição de gordura na zona superior do corpo. Este fenómeno ocorre devido a uma diminuição da actividade da lipoproteína lípase, mais baixa na região inferior do corpo. Finalmente, um ganho extremo de peso e variações de peso, “efeito iô-iô”, podem aumentar a quantidade de gordura na zona superior.
A distribuição de gordura na zona superior do corpo está correlacionada com o desenvolvimento de vários problemas de saúde, incluindo doença cardiovascular, hipertensão e diabetes tipo 2. Pode ser utilizado um teste muito rápido para determinar o risco para estas complicações associadas com a distribuição de gordura na zona superior do corpo, calculando a relação cintura/anca (perímetro da cintura a dividir pelo perímetro da anca). As mulheres estão em risco quando esta relação excede 0.85 e os homens 0.95.
Definição e causas da obesidade
A obesidade não é uma doença isolada. Há uma grande variedade de métodos e critérios para diagnosticar a presença de obesidade. É de realçar que é a quantidade de tecido adiposo que define a obesidade e não o peso total. Vários factores contribuem para o desenvolvimento da obesidade: genética, ambiente, fisiologia e comportamentos. É ainda de salientar que os genes influenciam claramente o tamanho corporal e a distribuição de gordura corporal, e é muito provável que estejam envolvidos no desenvolvimento da obesidade humana.No homem, é difícil separar a genética dos factores ambientais e determinar a contribuição relativa de cada um destes factores para o desenvolvimento da obesidade.
As influências do ambiente na obesidade incluem a ingestão alimentar e a actividade física. O excesso de ingestão de alimentos em relação às necessidades do organismo, em termos de energia e actividade física, torna-se num forte componente para o desenvolvimento da obesidade.
O resultado do estudo da ingestão alimentar em humanos é alterado pelo facto de os indivíduos obesos não relatarem toda a quantidade de alimento que ingerem. A composição da alimentação pode também influenciar a obesidade. Indivíduos com excesso de peso mostraram claramente consumir alimentos mais ricos em gordura do que aqueles de peso normal.
A quantidade de energia que o indivíduo gasta também vai influenciar o desenvolvimento de obesidade. A actividade física aumentada está associada com menor acumulação de massa gorda. Além do défice energético que ocorre com o exercício, também ocorrem alterações metabólicas com o treino que têm impacto na utilização e armazenamento de gordura. Os indivíduos com prática regular de actividade física têm uma capacidade lipolítica aumentada comparada com as pessoas sedentárias. Um efeito benéfico e importante do exercício físico durante a perda de peso é a consequente prevenção de massa gorda livre e permitir a perda de gordura que é equivalente ou superior à perda de peso.
Vários factores fisiológicos podem também estar envolvidos no desenvolvimento da obesidade. Estes incluem metabolismo alterado do tecido adiposo, alterações hormonais e alterações nos pontos de controlo cerebrais que controlam a saciedade, particularmente no hipotálamo. Devem existir alguns sinais distorcidos que afectam o metabolismo do tecido adiposo e alteram a sua participação no fornecimento de energia, aumentando directamente o armazenamento no tecido adiposo em vez da utilização de gordura por parte dos músculos. Contudo, foi observado que a lipoproteína lípase está aumentada na obesidade, e esta enzima pode aumentar o armazenamento de triglicéridos no tecido adiposo. Alterações hormonais que podem afectar a obesidade incluem a hiperinsulinémia e mudanças na função pituitária ou suprarrenal.
Apesar do grande número de mecanismos que já foram identificados para o desenvolvimento da obesidade, o quadro ainda não está completamente claro. Para muitos indivíduos pode existir uma causa biológica. Quando estes indivíduos entram em contacto com excesso de ingestão de alimentos ricos em gordura e num ambiente que promove a inactividade, resulta a obesidade. É também importante salientar que, enquanto muitas pessoas perdem massa adiposa, existe pouco sucesso quando as pessoas não se decidem, de uma vez por todas, a alterar os seus hábitos de vida, que correspondem a educação alimentar e exercício físico.
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